Somos livres quando amamos a Vida. Amamos os outros, sem expectativas, sem vir-a-ser. Somos livres quando dizemos o que queremos, sem nada querer, somos livres. A liberdade são todas as possibilidades latentes, virtuais, da Vida-sendo. Se existisse uma metáfora capaz de (re)velar o que penso sobre a liberdade, não saberia como. Mas, o rio(!). Ah! O rio. O rio corre, as águas do rio (que não são do rio) correm... mas, sem correr, correndo. Ah! As pedras do rio, que não são do rio, são o que são: pedras. Os peixes do rio, que não são do rio. Somos livres como o rio quando queremos e deixamos correr, tranqüilo, sereno, às vezes, furioso, fervoroso, o outro. Aliás, melhor seria dizer, os outros (os outros dos outros e os outros de nós mesmos) Deixamos, por amar. Por amar ser livre, ser o outro, sendo. Liberdade: direito pleno do Ser-vida. Liberdade, com asas, sem asas, sendo: celebração do acontecimento-aí, presente, instante: amor planejado, sem sê-lo, paradoxalmente, a espera, sem espera, do néon. Somos livres. Livres porque somos os outros, sendo nós mesmos. Somos livres. Porque somos o próprio paradoxo do-sim-do-não. Quão tolos somos quando não vivemos, no aqui-e-agora, no instante da vida-sendo; quando não acolhemos o que-é por medo do desconhecido, do vazio, do silêncio (que, muitas vezes, é muito barulhento)... Quão tolos somos quando repetimos, repetimos e repetimos sem arte, sem pulsar, sem abertura para o inesperado, o impresivível, o fora do script... Quão tolos somos quando imaginamos ser mais do que o outro. Livres. Somos? Podemos dizer/ouvir o que precisamos, sem nada saber, às vezes, sem ao menos querer? Somos? O que somos mesmo? O que queremos? Sei o que precisamos: viver. Hoje, mais do que nunca, preservar a vida. Estamos morrendo. Vamos morrer... estamos matando a humanidade em nós, estamos matando as possibilidades. Éh! Somos livres?
terça-feira, 4 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Em um sábado de tarde...
Queria entenderseu silêncio.
Mas ele é indecifrável.
É como uma folhade papel em branco.
Níveo como o lírio do campo.
Queria entendero que houve.
Mas não encontro respostas.
Ocultas dentrodo peito.
É um sentimento Inviolável.
Queria ler emseus olhos.
O que esconde na alma.
Mas o véu que cobreseu rosto.
Não deixa ele ser transparente.
Queria entenderseu silêncio.
Que magoa, apunhala e machuca.
Deixando em meucoração.
Ferida exposta, sem cura.
Felicidade Realista.
De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
~.
domingo, 2 de março de 2008
Metamorfose Ambulante.
' Eu queria ser, essa metamorfose ambulante (...) ' [♪]
A felicidade reina, o amor domina, o sorriso proteje.
Não somos nada nesse mundo, podemos ser importantes para varias pessoas, provisoriamente.
Até para nos identificarmos quando morremos, precisamos de um papel colocado no pé, porque se não, nos perdemos no meio de outros individuos assim como nós. Morremos como uma pizza, com um bilhete diferenciando.
Uma hora temos uma opnião, em questões de segundos podemos mudar com uma simples visão. Nesse mundo de injustiças, fome, miséria, daqui a pouco, vão pegar um mendingo da rua e colocar na Presidencia. Opiniões das pessoas falam que o Lula é ladrão, analfabeto e a putaqueopariu. Mesmo com isso, eu acredito nele, por mais que fale errado e faça as vezes passarmos vergonha.
Fico no canto, sem falar e sem reclamar, só sentindo. Sendo feliz com simples e compostas coisas. Entre esses e outros motivos, permaneço quieta e revoltada com o País que temos, com pessoas que moram nele, e com a espécie humana. Mesmo fazendo parte dela.
'NatháliaDeSá
Sem mim, nada disso seria possivel.
Desde o confuso princípio dos ringues quando não havia mãos para tocar a delicadesa da espessura e a cor do mundo era a mesma de um hematoma, minha própria pele preta, ainda impalpável, mais querendo extravasar-se como o sangue da vida, já promovia o poderoso espetéculo: o combate pela carne do tempo. Quem era eu, então? Um poeta? Um Deus? Uma ausência encansável de limites? Um capitalista inventado o primeiro dinheiro, o primeiro estádio (com ingressos pagos) para o entreterimento de Deus vozares? Ou apenas uma força entre outras em busca de aventuras cada vez maiores! Sim, era isto o que eu era e o que jamais deixarei de ser. Amo a coragem, a miséria e a precariedade destes homens, com as quais desenhei alturas para mim, para eles e muitos outros. Amo até mesmo a inteligência superior que alguns demonstram ter... e o entusiasmo de preservação de outros que, pelo menos, não tentaram me desafiar. E amo igualmente aqueles que, hoje mortos, se rebelaram contra o meu poder: também eles fizeram minha fama e minha fortuna. Trago feridas como todo mundo, mais deixo os lutadores se machucarem em meu lugar.
'NatháliaDeSá
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