Desde o confuso princípio dos ringues quando não havia mãos para tocar a delicadesa da espessura e a cor do mundo era a mesma de um hematoma, minha própria pele preta, ainda impalpável, mais querendo extravasar-se como o sangue da vida, já promovia o poderoso espetéculo: o combate pela carne do tempo. Quem era eu, então? Um poeta? Um Deus? Uma ausência encansável de limites? Um capitalista inventado o primeiro dinheiro, o primeiro estádio (com ingressos pagos) para o entreterimento de Deus vozares? Ou apenas uma força entre outras em busca de aventuras cada vez maiores! Sim, era isto o que eu era e o que jamais deixarei de ser. Amo a coragem, a miséria e a precariedade destes homens, com as quais desenhei alturas para mim, para eles e muitos outros. Amo até mesmo a inteligência superior que alguns demonstram ter... e o entusiasmo de preservação de outros que, pelo menos, não tentaram me desafiar. E amo igualmente aqueles que, hoje mortos, se rebelaram contra o meu poder: também eles fizeram minha fama e minha fortuna. Trago feridas como todo mundo, mais deixo os lutadores se machucarem em meu lugar.
'NatháliaDeSá
domingo, 2 de março de 2008
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